No post anterior, “Organize sua vida financeira” comentei
sobre a importância de saber para onde seu dinheiro é direcionado e porque você
está no vermelho ou tem sempre a sensação que seu dinheiro está “contado”.
Indiquei a criação de uma planilha de acompanhamento
financeiro, pois diante das informações levantadas você será capaz de responder
uma pergunta simples:
Mensalmente, você gasta mais do que ganha?
Atente-se à sua resposta, pois somente o que você recebe
deverá ser considerado. Não estamos falando do limite do seu cheque especial ou
do limite do cartão de crédito!
Se você quer ter uma relação saudável com seu dinheiro deve
enxergar que esse “limite” é dinheiro do seu banco e que, para utilizá-lo você
paga juros, juros muito altos!
O que muitas pessoas se esquecem é que os juros cobrados
por instituições financeiras são os famosos juros compostos.
Mas Rodrigo, o que são juros compostos?
Bem, fique tranquilo(a), não é necessário ser um expert em cálculos
para compreendê-los.
De acordo com a Anefac*, em novembro de 2013 a taxa mensal
de juros do cartão de crédito era de 9,37%, o que gera uma taxa de 192,94% ao
ano.
E o que isso quer dizer?
De modo simples, se você deixar pagar o seu cartão de
crédito durante 1 ano estará devendo o triplo do que gastou inicialmente.
Você deve estar achando que sou louco, mas vejamos um exemplo de
cálculo de juros compostos utilizando a taxa de Novembro de 2013:
Imagine que você realizou a compra de um calçado de R$100,00
no cartão de crédito. Por algum motivo(desemprego, imprevistos, etc...) não
pagou o cartão no primeiro mês. Sua dívida passará de R$100,00 para R$109,37.
Se no segundo mês, você também não pagar estará devendo R$118,74, certo?
ERRADO!!! Os juros compostos são calculados a cada mês sobre
a sua dívida reajustada, ou seja, o cálculo no segundo mês será 9,37% sobre
R$109,37, o que nos gera o valor de R$119,61. O cálculo se resume ao seguinte:
R$109,37 * 9,37% = R$119,61
Mas Rodrigo, a diferença entre R$118,74 e R$119,61 é muito
pequena, não?
Veja a tabela de juros, para este calçado, caso você não
pague a fatura do cartão de crédito durante 12 meses e responda você mesmo à pergunta acima:
Você estará devendo R$292,94 para o seu banco, onde o valor inicial era de R$100,00.
Ou seja, R$100,00 + 192,94% (ao ano) = R$292,94
Agora imagine se sua dívida for de R$1.000,00...
Só para análise, as taxas do cheque especial em Novembro de 2013, também segundo a Anefac, eram de 7,89% ao mês e 148,76% ao ano!
Neste momento, chegamos ao tema principal deste post:
Pare de pagar juros!
Mas, já estou devendo no cartão de crédito e/ou cheque especial. O que fazer agora?
Se você já se encontra nesta bola de neve que são os juros compostos, o segredo neste momento é parar. Parar de gastar!
Para conseguir equilibrar as contas existem dois meios:
1 - Aumentar a renda;
2 - Reduzir gastos;
Como a opção 1 não é algo tão simples e a tendência é que se gaste mais com um salário maior, recomendo que você reduza seus gastos, principalmente os mais supérfluos.
Uma frase sempre me vem à cabeça nestes casos:
"Se descobre que se enterrou num buraco, pare de cavar!" - Robert Kyiosaki - autor de Pai Rico Pai Pobre
Esta frase diz muita coisa sobre finanças pois se você está endividado o primeiro passo é parar de comprar. Baseado em minha própria experiência, recomendo que você cancele seu limite do cheque especial e mantenha no máximo 1 cartão de crédito. Cartão este, que deve ser mantido em casa, somente para gastos controlados.
Parando de gastar, o próximo passo será quitar suas dívidas. Neste ponto chegamos a 2 situações distintas e que merecem atenção separadamente:
1 - Você possui recursos alocados em alguma aplicação( caderneta de poupança, CDB, título de capitalização, etc...);
2 - Você não possui recursos para quitar suas dívidas, ou seus recursos não cobre 100% do valor mensal de suas dívidas;
1º Caso: Você possui recursos em aplicações
Se você possui recursos aplicados é recomendável que você os retire para quitar suas dívidas e ficar livre dos juros.
Vou citar aqui, como exemplo, a caderneta de poupança que trata-se da aplicação financeira mais comum em nosso país.
Os juros da poupança também são juros compostos e você estará ganhando com seu dinheiro aplicado. Porém a pergunta é: Quanto?
Enquanto uma instituição bancária te cobra 9,37% ao mês de juros de cartão de crédito, esta mesma instituição te paga 0,4% ao mês na caderneta de poupança.
Minha dica é: verifique o rendimento de sua aplicação! Raríssimos investimentos(normalmente de alto risco) te darão um retorno maior que as taxas de juros cobradas pelos bancos.
Deixar de pagar suas dívidas pensando em ganhar com juros bancários é pura ilusão. Você recebe um valor muito menor de juros do que paga.
Portanto, se você possui recursos, pague sua dívidas e Pare de Pagar Juros!
Obs.: Negocie com seu gerente uma redução das taxas, principalmente se o pagamento for à vista.
2º Caso - Você não possui recursos extras para quitas as dívidas
Caso você não possua recursos adicionais para quitar as dívidas, o segredo aqui é buscar juros compostos mais baratos do que os atuais que você paga.
Você pode parcelar o seu cartão de crédito e/ou cheque especial, conseguindo uma redução dos juros em até 50%. O detalhe nesta negociação é que seu cartão fica bloqueado até a quitação do valor. Considero a melhor opção para aqueles que não conseguem parar de "cavar" ou gastar, como preferirem.
Outra opção é utilizar um empréstimo bancário, que em Novembro de 2013 possuia taxas de juros de 3,18% ao mês e 45,59% ao ano. Não são juros baixos porém são melhores que os 9,37% e 192,94% do cartão de crédito.
O grande trunfo, ao pegar um empréstimo pessoal é que a parcela obrigatoriamente tem que se adequar ao seu orçamento. Você deve ser capaz de quitá-lo, caso contrário, retornará à bola de neve dos juros compostos.
Fica aqui o alerta, independente se você possui ou não recursos, de nada adiantará seu esforço se voltar a utilizar o cheque especial e o cartão de crédito.
Com seu planejamento financeiro bem estipulado e sabendo para onde seu dinheiro está indo, você será capaz de tomar decisões mais lúcidas em cima do seu salário líquido, cortando gastos desnecessários, neste momento que chamo de turbulência financeira.
Como afirmei nos posts anteriores, basta determinação para saber como controlar o seu dinheiro e não o contrário, seu dinheiro controlar você.
Todos deveriam experimentar essa sensação de controle financeiro. É o que espero que você consiga com estas dicas.
Para mudar sua relação com o dinheiro, 2014 está só começando, e você tem tudo para ser mais feliz financeiramente.
Espero que você tenha gostado e que o post possa ser útil para sua vida!!!
Gostaria de agradecer pela leitura e até breve!
O próximo assunto abordado será: Poupe para gastar.

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